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Viver Seguro no Trânsito

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  • Saúde precária transforma caminhoneiros em bombas-relógio

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    Recentemente, um caminhoneiro morreu no Paraná e a notícia veiculada pela imprensa local era de que ele teria sofrido um mal súbito, perdido o controle do veículo e batido num barranco, tombando em seguida. A viagem pela vida desse trabalhador terminou ali, numa rodovia estadual do Paraná, longe dos seus, sem despedida, um último carinho ou palavras de conforto. Morreu sob os olhares curiosos dos passantes. Desconhecido virou notícia para quem nunca ouviu falar dele. Saiu no jornal, transformou-se em tema de comentário nas rádios e imagem de televisão.

    A mesma cena acontece todos os dias com esses profissionais em todos os estados e rodovias importantes do país. Morrem, na maioria das vezes, sozinhos, distantes do lar, dos filhos e da família. Os colegas de profissão passam, ficam solidários e pensam: Será que o meu destino é esse, morrer na pista no ferro retorcido ou debaixo da carroceria? A verdade é que a maioria dos caminhoneiros brasileiros não têm plano de saúde, nem tempo para frequentar o médico.  Viajam pelo país sob stress e pressão, dormem em condições precárias, se alimentam mal, não fazem atividade física regular, alguns usam rebite e drogas para suportar a jornada, enfim um somatório de fatores que contribuem para que sofram acidentes e morram na estrada. A maioria viu um médico pela primeira vez quando sofreu um acidente. Outros deixam de herança apenas a indenização por morte paga pelo Seguro DPVAT. Não fosse essa proteção mínima, a maioria deixaria apenas dívidas e lembranças. Sua história de vida é apagada aos poucos de todos os registros oficiais, assim como os carros no ferro velho. Desculpem, mas mal súbito uma pinóia.  A exploração desses profissionais é que gera um cardápio de ingredientes que provocam ataques cardíacos, derrames, etc... Mas a notícia é resumida em “mal súbito”. Enquanto esses profissionais não tiverem condições dignas de trabalho e jornadas limitadas, vamos continuar a vê-los morrer assim e muitas vezes matar também . Na verdade, o organismo do caminhoneiro brasileiro é uma bomba relógio pronta a explodir. Quem acende o pavio é quem explora essa mão de obra, que trata homens como se máquinas fossem. Sem vida, laços familiares, sentimentos e coração. De certa forma, também somos responsáveis por ativar essa bomba relógio, quando nos preocupamos apenas como os produtos são fabricados, com os agrotóxicos dos produtos perecíveis, e esquecemos de nos questionar sobre as condições de trabalho desses profissionais da estrada. Precisamos saber não apenas se um móvel é produzido respeitando o meio ambiente, mas acima de tudo se o transporte de qualquer produto é feito respeitando o ser humano. É fundamental estimularmos empresas a adotarem o transporte socialmente responsável. Afinal, quando um caminhoneiro cochila por fadiga na estrada, não é só ele que pode nunca mais acordar. Podemos ir juntos nessa viagem eterna. Melhor acordarmos antes para preservarmos vidas. Por isso e tantas outras razões, desejo vida longa aos caminhoneiros brasileiros. Rodolfo Alberto RizzottoFormado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas dos seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.